Mycoplasma genitalium – uma bactéria sexualmente transmissível que ninguém fala

M. genitalium foi identificado no início de 1980 e é reconhecido como uma causa de uretrite (inflamação na uretra) em homens; é responsável por 15-20% das uretrites não gonococicas, 20-25% das uretrites não gonococicas e não-clamidias; e aproximafamente 30% das uretrites persistentes e recorrentes.
Na maioria das vezes o M. genitalium é mais comum que Neiseria gonorrhoeae, mas menos comum que Clamydia trachomatis. Podendo estar associado numa coinfecção com Clamydia trachomatis.
Fortes e consistentes evidências correlacionam o M. genitalium com uretrites em homens, mas não se sabe ainda se ele pode causar infertilidade em homens ou outros problemas no trato anogenital masculino.
Essa bactéria tem sido encontrada em homens com epididimite (inflamação no epidídimo, local de armazenagem e maturação dos espermatozoides), além de ser encontrado também no reto (porção terminal do intestino); mas geralmente não apresenta sintomas e também não sendo associado a sintomas relacionados com prostatite (inflamação na próstata).
Em mulheres, o M. genitalium pode ser encontrado na vagina, colo uterino e endométrio, assim como Clamydia e N. gonorrhoeae; geralmente as infecções pelo M. Genitalium em mulheres são assintomáticas, ou seja, não provocam sintomas.
Pesquisas de detecção encontraram micoplasma em 10-30% de mulheres com inflamação clínica (com sintomas) no colo uterino (cervicite). E outros estudos chegaram a conclusão que ele é mais frequente em mulheres com cervicite do que as sem cervicite (inflamação no colo do útero).
Ele também é encontrado no colo do útero e/ou endométrio (tecido que reveste internamente o útero) nas mulheres com DIP (doença inflamatória pélvica) com mais frequência do que nas mulheres sem DIP, e estudos em primatas não humanos que receberam inoculação dessa bactéria e desenvolveram endosalpingite (inflamação nas trompas) sugerem que essa bactéria pode causar a Doença inflamatória pélvica em mulheres, mas menos frequentemente que a Chlamydia trachomatis.
O diagnóstico de M. genitalium é difícil pois ele é um organismo de crescimento lento, cultura pode levar até 6 meses para ter resultado e poucos laboratórios no mundo são capazes de isolar laboratorialmente essa bactéria. Os testes de replicação do DNA (PCR) são os testes de escolha, mas há poucos laboratórios que oferecem esses testes para o M. genitalium além de não estar claro seu papel no diagnóstico da infecção.
Em casos de uretrite recorrente e persistente o M. genitalium deveria ser considerado como suspeita, assim como em casos de cervicite e DIP recorrentes e persistente.
O tratamento do micoplasma leva em consideração o local de infecção. O tratamento com 7 dias de doxiciclina recomendado para o tratamento da uretrites é ineficiente para o micoplasma, com média de cura de 31% aproximadamente. Dose única de azitromicina 1 grama é significativamente mais efetiva nesses casos.
No entanto, tem aumentado a resistência das bactérias a azitromicina, a média de cura com azitromicina em homens e mulheres (uretrites e cervicite) era de 85%, mas as pesquisas mais recentes mostraram apenas 40% de cura. Então, o uso de tratamentos mais longos com 500 mg inicial seguidas de 250 mg diariamente por 4 dias tem sido superior ao tratamento em dose única com 1g.
Entretanto, em média, 50% dos M. genitalium são resistentes a azitromicina, ou seja, 50% das infeccões por micoplasma não responderão a azitromicina. Nesses casos a moxifloxacina tem sido usada na dose de 400 mg ao dia entre 7 a 14 dias; no entanto essa droga possui poucos estudos comprovando sua eficácia e segurança.
O tratamento de Doença inflamatória pélvica é baseado em antibióticos sem efeito sobre o micoplasma, nos casos de persistência ou recorrência está indicado o tratamento para micoplasma com moxifloxacina 400 mg diariamente por 14 dias. No entanto, assim como nas cervicite e uretrites, não há estudos clínicos demonstrando eficácia e segurança.
Quando o teste de PCR para micoplasma está disponível, pacientes com recorente ou persistente uretrites, cervicite e DIP deveriam ser testadas antes e após o tratamento para verificar a erradicação da bactéria ou sua persistência.
Quando a testagem para miviplasma está disponível, os parceiros sexuais deveriam ser testados e tratados se o teste for positivo.

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