DSTs e comportamento sexual – MSM – homem que faz sexo com homem

O termo “homens que fazem sexo com homens” descreve um grupo heterogêneo que tem variados comportamentos, identidades sexuais e de gênero e necessidades de saúde.

Alguns desses homens que fazem sexo com homens tem alto risco de infecção pelo HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis virais e bacterianas devido a prática de sexo anal, pois a mucosa retal fica suscetível a certas infecções transmitidas sexualmente.

Assim, múltiplos parceiros sexuais, uso de substâncias de abuso e o network sexual mais dinâmico entre os homens que fazem sexo com homens aumentam o risco da infecção HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis.

A frequência de prática de sexo sem preservativo e as taxas de doenças sexualmente transmissíveis, inclusive HIV, diminuíram substancialmente entre homens que fazem sexo com homens entre 1980 e metade de 1990, mas desde então as taxas de sífilis (primária, secundária e latente), gonorreia e infecção por clamidia tem novamente aumentado, assim como os comportamentos sexuais de risco entre homens que fazem sexo com homens.

Vários estudos tem demonstrado que a sífilis primária está relacionada a infecção pelo HIV principalmente em homens que fazem sexo com homens. O uso de substâncias de abuso (principalmente metanfetamina – droga comum nos países industrializados), múltiplos parceiros anônimos e busca por novos parceiros pela internet tem contribuído para esse aumento da incidência de sífilis entre homens que fazem sexo com homens.

Além da gonorreia e infecção por clamidia uretral devido ao sexo oral insertivo, pois a faringe pode estar colonizada com essas bactérias, a gonorreia e clamidia retais são comumente encontradas em homens que fazem sexo com homens, e a recorrência (retorno da infecção após tratamento) é frequente.

Os sintomas comuns dessas infeções bacterianas incluem secreção através da uretra, dor ao urinar, úlceras (feridas) perianais, linfonodomegalia regional (inguas), pele vermelha, e ainda sintomas anoretais como secreção e dor anal ao evacuar (eliminar fezes) ou durante penetração anal.

Para prevenção recomenda-se orientação quanto ao uso de preservativo masculino em todas as relações, inclusive sexo oral, evitar uso de drogas de abuso com o objetivo de melhorar a performance sexual o que diminui a chance para o uso de preservativo (camisinha), e evitar a prática de sexo anônimo sem preservativo.

Os testes para Sífilis, gonorreia e clamidia (pesquisa uretral e anal para os 2 últimos ) devem ser realizados no mínimo anualmente e idealmente de 3 a 6 meses em homens que fazem sexo com homens, inclusive os portadores de HIV que apresentem comportamento de risco (não uso de preservativo e uso de substâncias de abuso para melhorar a performance sexual).

Pesquisa para o vírus herpes vírus tipo 2 também é recomendada caso não se saiba o status sorologico da pessoa. Além disso, infecção pelo HPV é altamente prevalente em homens que fazem sexo com homens, na foma de verrugas ou lesões anais e faringeas; tendo sido liberada a vacina quadrivalente contra o HPV para homens até 45 anos, em 2019.

A citologia anal, que corresponde ao preventivo na mulher, ainda não tem dados suficientes de benefício para ser realizada como método de prevenção populacional contra câncer anal, principalmente em homens que fazem sexo com homens com ou sem HIV; no entanto, vários centros pelo mundo realizam a coleta desta citologia em homens que fazem sexo com homens como método para diagnóstico precoce e prevenção de câncer de canal anal, a anuscopia de alta resolução (similar a colposcopia que se realiza no colo uterino da mulher) é realizada em citologia suspeitas, guiando a biópsia da lesão quando necessária.

Testes de Hepatite B (HBSAG) e Hepatite C também deveriam ser realizados anualmente para identificar portadores e encaminha-los para tratamento e orienta-los a usar preservativo evitando infecção de outras pessoas.

Homens que fazem sexo com homens que nunca tiveram a infecção ou não sabem seu status sorologico (se já receberam vacina ou não), deveriam ser vacinados contra Hepatite A e B.

A vacina para Hepatite B está disponível gratuitamente no SUS, as vacinas contra Hepatite A e HPV estão disponíveis em clínicas particulares.

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