O que preciso saber sobre cisto de ovário?

No Brasil, estimou-se que, em 2016, surgiram 6.150 novos casos de câncer de ovário, sendo a sétima entre todos os tipos de câncer em mulheres e terceira entre as causas ginecológica. A idade média no diagnóstico de câncer ovariano nos EUA é 63 anos, mas em torno de um terço dos casos é encontrado em pacientes com menos de 54 anos.

Entende-se como tumor ou neoplasia a proliferação celular anormal, excessiva e descoordenada, que não cessa quando o estímulo inicial termina. A palavra neoplasia vem do grego, onde ‘’neo’’ significa novo e ‘’plasis’’ significa crescimento e multiplicação celular. Dentro deste espectro, poderíamos dividi-las em neoplasias benignas e malignas (câncer). Neoplasias benignas são aquelas que apresentam crescimento lento, não invasivo e, portanto, não causadoras de metástases. As neoplasias malignas são aquelas cujo crescimento é acelerado e podem invadir tecidos vizinhos e não vizinhos através das vias hematogênica (sangue) e linfática (linfonodos), o que denominamos de processo metastático.

Pode-se entender também como tumor, e não como neoplasia, lesões que representam aumento de volume tecidual decorrentes de exercício da função ou de processo inflamatório, podendo se apresentar sob forma sólida ou cística. Aqui se enquadram os cistos ovarianos funcionais.

Nas mulheres na pós-menopausa (1 ano após a última menstruação), 8% a 17% podem apresentar massas ovarianas (sólidas ou císticas), sendo lesões suspeitas em 36% a 59% delas. Entre as lesões malignas, o tipo mais comum é o cisto adenoma seroso, enquanto que entre as benignas, o teratoma maduro, também denominado cisto dermoide, é o mais prevalente.

Os principais fatores de risco relacionados ao câncer de ovário são a história familiar de câncer de mama ou ovário, a presença de mutações dos genes BRCA1 e/ou BRCA2 e o câncer de cólon (intestino grosso) hereditário não polipoide (síndrome de Lynch). Também, são fatores de risco a endometriose, pelo seu estado inflamatório crônico e infertilidade associada; a obesidade, o tabagismo (hábito de fumar), a nuliparidade (não ter filhos), a terapia de reposição hormonal (com estrogênio) e a idade, com maior risco as massas ou tumores ovarianos encontrados na pré-menarca (antes da primeira menstruação) e pós-menopausa (1 ano após a última menstruação). O risco de tumores borderline aumenta após estimulação ovariana na fertilização in vitro.

Os sintomas geralmente são inespecíficos, como sangramento irregular, aumento do volume abdominal, dor abdominal e pélvica. Quando de início súbito (repentino), intenso ou de rápida progressão, principalmente se associados a sintomas consumptivos (emagrecimento), a possibilidade de tumor maligno de ovário deve ser considerada. O uso de contraceptivos (anticoncepcionais) e o atraso menstrual, sempre, devem ser investigados para descartar ou confirmar gravidez. Outros sintomas, como sangramento aumentado e cólicas menstruais intensas, podem estar presentes em quadros de miomas uterinos; dor na relação sexual e cólica menstrual intensa, são sugestivos de endometriomas (cistos de endometriose no ovário); febre e dor à mobilização do colo uterino podem indicar abscessos tubo-ovarianos e doença inflamatória pélvica.

Em mulheres em idade reprodutiva, a dosagem do BhCG é necessária para descartar gestação e doenças relacionadas a ela. O hemograma completo pode evidenciar leucocitose (aumento dos leucócitos, células brancas do sangue responsáveis pela defesa), sugerindo doenças infecciosas como doença inflamatória pélvica e abscesso tubo-ovariano. Dentre os marcadores tumorais no sangue, o mais relevante é o CA125, o qual está aumentado em 80% das pacientes com câncer epitelial de ovário; porém, nas pacientes em estádios iniciais, seus níveis podem ser normais.

Na presença de sinais e/ou sintomas sugestivos de massas ovarianas, devemos iniciar uma investigação com exame de imagem. Obviamente, na maioria dos casos, indica-se inicialmente a realização de uma ultrassonografia pélvica abdominal (ou transvaginal no caso de mulheres sexualmente ativas).

A ultrassonografia transvaginal (USTV) é considerada como primeira linha na investigação das massas ovarianas. A ultrassonografia pode distinguir cistos simples de massas sólidas e complexas, além de observar líquido livre na cavidade abdominal. Algumas características ultrassonográficas são suspeitas de malignidade, como a presença de componente sólido, cistos multiloculados (varios cistos juntos), aumento da espessura da cápsula, diâmetro superior a 6 cm, presença de septo grosseiro, projeções papilares, ascite (líquido livre no abdome) ou diminuição no fluxo ao doppler.

A ressonância magnética (RM), também, pode ser uma alternativa na avaliação das massas ovaianas, principalmente em gestantes, adolescentes e mulheres sem atividade sexual. É extremamente útil no diagnóstico diferencial de massas suspeitas de serem miomas, cistos ao lado dos ovário (para ovarianos) e endometriomas. Cistos foliculares podem estar presentes em diversas etapas da vida, inclusive no período neonatal (logo após nascimento), na menacme (idade reprodutiva, começa depois da 1º menstruação) e no período peri menopausa (nos anos que antecedem a parada da menstruação).

Entre as massas ovarianas císticas, os cistos funcionais, resultantes da função normal ovariana, são os mais comuns. Cistos ovarianos com pouco ou nenhum sintoma, de 2 a 5 cm de diâmetro costumam regredir em 04 a 05 semanas espontaneamente, e cistos maiores de 5 cm de diâmetro demoram cerca de 03 meses para resolução completa.

Cistos de 2 a 5 cm de diâmetro, com pouco ou nenhum sintoma, justificam conduta conservadora, ou seja, apenas observação. Em cistos de 5 a 7 cm de diâmetro, é permitido conduta conservadora, desde que acompanhado de perto, com abordagem cirúrgica em casos que apresentem sintomas como dor abdominal persistente ou que persista com o cisto do mesmo tamanho ou maior após 3 meses de observação.

Tratamentos hormonais (como anticoncepcionais hormonais) evitam o surgimento de novos cistos, mas não tratam cistos já existentes. Tratamentos conservadores de cistos ovarianos merecem acompanhamento com ultrassom transvaginal (ou pelvico se não sexualmente ativa) e dosagem de marcadores tumorais para afastar possibilidade de estarmos diante de um cisto maligno. Ao se optar pelo procedimento cirúrgico, em casos citados anteriormente, deve-se optar por excisão do cisto com preservação do parênquima ovariano; a aspiração do cisto apresenta alta incidência de recorrência e deve ser evitada.


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