O que fazer com pênis torto?

Doença de Peyronie é uma anormalidade peniana adquirida e benigna, caracterizada por fibrose na túnica albugínea, que pode ser acompanhada de dor, deformidade, disfunção erétil (problemas de ereção) e angústia. Dados epidemiológicos são controversos pois levam em consideração como o problema é definido; assim, as taxas de incidência são de 0,5 a 20,3% da população masculina. Os dados disponíveis geralmente tem relação a pacientes que estavam em tratamento ou investigação para outra doença urológica como câncer de próstata e foram diagnosticados.

Não se sabe ao certo o que causa a Doença de Peyronie, sabe-se que é uma doença inflamatória adquirida na túnica albugíena.

Acredita-se que um trauma microvascular no corpo do pênis em estado ereto ou semi-ereto, geralmente relacionado com a atividade sexual, seja o evento inical mais comum, mas muitos homens não lembram de nenhum incidente antes de iniciarem os sintomas. A hipótese mais aceita até hoje é de pequenos microtraumas repetitivos iniciando uma cascata de cicatrização na túnica albugínea, fazendo a mesma perder drasticamente sua elasticidade.

Os sintomas são variáveis, alguns sintomas podem melhorar e se resolverem espontaneamente sem tratamento. A dor é um sintoma muito comum, que pode estar presente ou não, e, em muitos casos melhora com o tempo; a deformidade do pênis com uma curvatura, pode estabilizar, melhorar (alguns graus) ou piorar ao longo do tempo. Como a doença é progressiva, na maioria dos casos o tamanho da placa de fibrose aumenta com o tempo.

A função sexual pode ser prejudicada com a curvatura do pênis ou não, assim como a ereção, dessa forma, além da dor física causada pela Doença de Peynonie, os impactos negativos psicossociais são notáveis. Muitos homens com Doença de Peyronie tem angústia emocional, sintomas depressivos e dificuldade de se relacionar. A aparência física do pênis pode resultar em impacto negativo auto-imagem e na satisfação sexual.

A túnica albugínea é um tecido que envolve os corpos cavernosos penianos, e a deposição desorganizada de colágeno localmente, que origina a placa, pode restringir o alongamento da túnica do lado afetado durante a ereção, levando a curvatura peniana, deformidade peniana, desconforto peniano, dor peniana e disfunção erétil (dificuldade de ereção).

A apresentação mais comum nos consultórios dos(as) urologistas são homens na década de 50 anos que iniciou uma curvatura peniana acompanhada com dor leve a moderada; sem referir um evento traumático específico local de origem sexual ou não sexual. Geralmente a função erétil não está comprometida, no entanto, a curvatura ou a dor podem impedir a relação sexual oui dificultá-la, sendo desconfortável para o paciente e a parceria. Geralmente a placa de fibrose e a curvatura não são notadas ou palpadas no estado não ereto do pênis.

Apresentações menos comuns são de homens mais jovens (entre 20 e 30 anos) apresentando sintomas característicos de Peyronie; esse grupo geralmente lembram de uma evento específico antes de inciiar a dor e a curvatura peniana.

A doença de Peyronie pode estar ativa ou estável, doença ativa é caracterizada por mudanças sintomáticas dinâmicas. Dor peniana ou desconforto com ou sem ereção caracteriza a fase ativa da doença. Na fase ativa, pode haver progressão da placa em tamanho e quantidade, além da curvatura, podendo a função eretil estar comprometida ou não.

Na fase estável, os sintomas permanecem inativos ou inalterados por pelo menso 3 meses. Dor, com ou sem ereção, pode estar presente, mas é menos comum. Quando a doença está estável quer dizer que a doença não é mais progressiva.

Disfunção erétil (problema de ereção), pode estar presente em até 33% dos pacientes com Doença de Peyronie, e desses, 50% dizem que o problema de ereção apareceu antes da doença de Peyronie.

Em homens jovens, que ao longo de toda vida observaram curvatura peniana, sem dor, sem placa, com boa habilidade e capacidade para ter relações sexuais sugerem um diagnóstico de curvatura congênita do pênis.

O tratamento da dor peniana pode ser realizado com um antiinflamatório não esteroide (que não seja corticóide), mas há casos em que a dor é leve e desaparece sem tratamento. Tratamentos com vitamina E, tamoxifeno, procarbazina, omega 3 ou combinados de vitamina E com L carnitina não são indicados pois não são eficazes para impedir a progressão da doença ou melhorar os sintomas locais.

Injeções com colagenase clostridium histolyticum são muito usadas nos EUA para tratamento clínico dos pacientes com Peyronie com diminuição da curvatura (em casos estáveis, com curvatura peniana maior que 30 e menor que 90º, e preservada função erétil). Esse tratamento, no entanto, tem como eventos adversos a equimose peniana, inchaço, dor e até ruptura dos corpos cavernosos (ruptura corporal do pênis). No Brasil não é muito utilizada pelo custo elevado (mais de 1500 dolares a injeção).

Injeções intralesionais de interferon alfa-2b também podem ser usadas, mas também possui custo elevado e efetividade duvidosa, tendo como efeitos adversos sintomas como sinusite, gripe e inchaço peniano.

Injeções intralesionais com verapamil (tratamento mais acessivel do ponto de vista financeiro) pode ser benefico, dependendo da experiencia do médico e fase da doença. seus principais efeitos adversos são inchaço peniano, náuseas, tonturas e dor no local da injeção.

Uma nova modalidade de tratamento está sendo testada no tratamento, são as ondas de choque extracorporea, no entanto, ela está mais relacionada com melhora da dor peniana, não reduzindo curvatura ou tamanho da placa de fibrose.

A tração mecânica tem resultados conhecidos na doença de Peyronie, podendo reduzir o tamanho da placa e sua contratura, além de melhorar a elasticidade da placa; sendo lançado nos ultimos anos um dispositivo de tração maleável, que permite tracionar o pênis na curvatura contrária a curvatura produzida pela placa. O que faltam são protocolos estudados e comparados com a melhor técnica, os aparelhos indicados, a tensão exercida e o tempo de tração.

Na fase estável da doença, por volta de 12 a 18 meses após iniciarem os sintomas a cirurgia de reconstrução pode ser uma estratégia de tratamento. As cirurgias mais empregadas são as plicaturas para corrigir a curvatura, apesar de haver risco de perder comprimento do pênis, incisão ou excisão da placa com enxerto diminuem o risco de perda de comprimento sendo uma excelente estratégia de tratamento quando a função erétil está mantida com ou sem medicação oral, tratamento com vacuoterapia ou injeção intracavernosa.

Doença de Peyronie associada com disfunção erétil ou deformidade peniana suficiente para impedir o coito tem indicação de prótese peniana. Durante a cirurgia de implante técnicas de modelagem, plicatura ou incisão podem ser realizadas quando a deformidade peniana persiste após a inserção da protese peniana. O tipo de prótese leva em consideração a experiência do cirurgião, mas para o tratamento de Peyronie há uma preferência por próteses infláveis.

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