Abuso sexual de criança e adolescente, como reconhecer o perigo?

A violência sexual vem acontecendo desde a antiguidadecem todos os lugares do mundo, em todas as classes socioeconômicas, sendo fenômeno complexo, com multiplicidade tanto de causas quanto de consequências para a vítima.

Define-se abuso ou violência sexual na infância e adolescência como a situação em que a criança é envolvida em atividade sexual sobre a qual, ele/ela não tenha compreensão, seja incapaz de fornecer consentimento informado ou não tenha desenvolvimento psicológico e intelectual suficiente para conceder tal consentimento. O abuso sexual infantil é evidenciado pela atividade entre uma criança e um adulto ou outra criança que, por idade ou desenvolvimento, está em relação de responsabilidade, confiança ou poder para com a primeira, tendo esta atividade a intenção de gratificar ou satisfazer as necessidades sexuais da outra pessoa.

Há evidências de que crianças submetidas ao abuso sexual têm maior chance de serem abusadas repetidamente. Casos isolados são menos frequentes e muitas vezes não chegam aos Serviços de Saúde. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que 7% a 36% das meninas e 3% a 29% dos meninos sofrem abuso sexual no mundo.

Sobre a violência sexual sofrida na infância e adolescência muitos estudos relataram graves consequências psíquicas e sexuais. As vítimas da violência apresentam elevada frequência de transtorno do estresse pós-traumático, depressão, ideação suicida e baixa auto-estima.

Segundo os dados do Departamento de Justiça dos Estados Unidos criminosos sexuais são indivíduos que podem pertencer a qualquer classe socioeconômica, raça, grupo étnico ou religião. A grande maioria não tem comportamento criminal específico. Tipicamente, seu grau de escolaridade é de ensino fundamental ou médio, está empregado e apenas 4% sofrem de doença mental severa.

Os crimes sexuais não acontecem simplesmente, pois somente pequeno número de molestadores de crianças age sem planejamento ou premeditação. Para a maioria desses criminosos o planejamento se inicia horas, dias ou até meses antes da ação. Apesar de compreenderem que estão agindo fora da lei, racionalizam seu comportamento, convencendo-se de que não estão cometendo nenhum crime e de que seu comportamento é aceitável.

O molestador de crianças convence a si mesmo de que a criança quer se relacionar sexualmente com ele, projetando nela os pensamentos e sentimentos que ele quer que ela tenha sobre ele.

É consenso que os portadores de pedofilia podem manter seus desejos em segredo durante toda a vida sem nunca compartilhá-los ou torná-los atos reais; podem casar-se com mulheres que já tenham filhos ou atuar em profissões que os mantenham com fácil acesso a crianças, mas raramente causar algum mal. Acredita-se que a passagem da fantasia para a ação no caso dos pedófilos ocorre com maior frequência quando o indivíduo é exposto a estresse intenso, situações nas quais haja grande pressão psíquica, como discussão conjugal importante, demissão, aposentadoria compulsória etc.

Quando envolvidos com atos ilícitos, a expressão do comportamento criminoso dos pedófilos permite diferenciá-los em dois tipos: os abusadores e os molestadores. Os abusadores caracterizam-se principalmente por atitudes mais sutis e discretas no abuso sexual, geralmente se utilizando de carícias, visto que em muitas situações a vítima não se vê violentada. Já os molestadores são mais invasivos, menos discretos e geralmente
consumam o ato sexual contra a criança.

Por outro lado, os molestadores de crianças, em sua maioria, apresentam motivações variadas para os seus crimes, que raramente têm origem em transtornos formais da preferência sexual.

Frente a multiplicidade de comportamentos, os pedófilos foram classificados como:

1. Pedófilo abusador: é o tipo mais comum, são imaturos, em algum momento da vida percebe que consegue com crianças nível de satisfação que não consegue alcançar de outra maneira. É geralmente solitário e com poucas habilidades sociais. Seu método é menso agressivo, difilmente agem com violência.

2. Pedófilo molestador: frequentemente utiliza violência, é mais invasivo e pode ser dividido em molestadores situacionais e preferencias.

2.1 Molestador preferencial: a gratificação sexual sé será alcançada se a vítima for uma criança. Na estatistica Norte Americana esses agressores temdem a ser mais inteligentes e pertencem a classes sociais mais elevadas. Seu comportamento sexual está a serviço da sua compulsão e é orientado por suas fantasias. Escolhe vítimas específicas, algums colocam em prática com crianças as fantasias que tem vergonha de executar com um parceiro adulto. Esse tipo de molestador costuma atacar mais meninos. A caracteristica marcante desse tipo de molestador é a violência extrema, que chega ao assassinato. Esse tipo de molestador pode ser do tipo sedutor, sádico e introvertido.

2.1.1 Molestador preferencial sedutor: geralmente o mais perigoso, presenteia e seduz seus alvos e é capaz de percorrer qualquer distância para alcança-los. Fica íntimo da vítima antes d emolestá-la e insinua gradativamente e indiretamente assuntos sexuais. Normalmente é solteiro, tem mais de 30 anos e estilo de vida e comportamento infantilizados. As profissões escolhidas são funcionários de escolas, monitores de acampamentos, técnicos esportivos, motoristas de ônibus escolar, fotógrafos, padres entre outras profissões com contato frequente com crianças.

2.1.2 Molestador preferencial sádico: pretendem molestar crianças com o expresso desejo de machucá-las, sua excitação é proporcional a violência. O crime é premeditado e ritualizado, com elaborado plano de ataque. Geralmente não conhece a criança que ataca e não a seduz, utiliza truques para tirá-la dos pais ou usa armas para amedrontá-la. A maioria é do sexo masculino, tem personalidade antissocial, trabalha em empregos temporários e muda frequentemente de endereço ou de cidade. Tem preferência por meninos.

2.1.3 Molestador preferencial introvertido: prefere crianças mas não tem habilidade para seduzí-las. Escolhe crianças pequenas, que não entendem o que está acontecendo e geralmente é uma criança desconhecida, atua nos parques infantis ou local de grande concentração de crianças. Para realmente se relacionar sexualmente utiliza prostituição infantil, turismo sexual, internet ou se casa com a mãe das crianças que deseja para ter acesso legítimo e seguro com a frquencia que necessita.

2.2 Molestador situacional (pseudopedófilo): a criança não é o ojeto central da sua fantasia. Frequentemente é casadoe vive com a família mas, se alguma situação de estresse acontece, sente-se mais a vontade com crianças. Na maioria das vezes ataca meninas, se for homossexual preferirá meninos. Geralmente é de classes socioeconomicas mais baixas e menos inteligente. Seu comportamento sexual está a serviço das suas necessidades básicas sexuais (excitação e desejo) ou não sexuais (poder e raiva). São oportunistas e impulsivos. Os principais critérios de escolha da vítima são a disponibilidade e a oportunidade. Podem ser divididos em 3 perfis: o regredido, o inexcrupuloso e o inadequado.

2.2.1 Molestador situacional regredido: devido estressores da vida para se sentir seguro e á vontade interage melhor com pessoas tão fragilizadas quanto ele, assim, não ataca apenas crianças, para satisfazer seus desejos sexuais utiliza qualquer grupo vulnerável como idosos, deficientes físicos ou mentais. Tem prazer em seduzir diminuindo seus problemas com baixa auto-estima. A internet é um meio de busca, geralmente coleciona filmes caseiros e/ou fotografias das crianças que foram suas vítimas.

2.2.2 Molestador situacional inescrupuloso: abusa de quem está disponível para satisfazer suas necessidades sexuais, molestar criança é parte do padrão de abuso geral em sua vida, pois tem como hábito usar e abusar das pessoas. Mente, trapaceia, furta e não vê motivo para não molestar crianças. Usa força, sedução ou manipulação para conquisrtar sua vítima. O incesto é comum para esse molestador, que não hesita em envolver seus filhos ou enteados na realização dos seus desejos.

2.2.3 Molestador situacional inadequado: pode sofrer de alguma forme de transtorno mental (retardo menstal ou senilidade) que dificulta ele perceber a diferença entre certo e errado em suas práticas sexuais, Dificilmente machuca as vítimas, suas práticas sexuais envolvem abraçar, acariciar, lamber ou outros atos libidinosos, que raramente incluem relação sexual.

O típico agressor é homem, começaq a molestar por volta dos 15 anos, se engaja em vários comportamentos pervertidos e molesta uma média de 117 jovens, cuja maioria não dá queixa. Cerca de 30% são menores de 35 anos, aproximadamente 80% tem inteligencia normal ou acima da média.

Pesquisadores ressaltam que 50% dos abusos infantis envolvem o uso de força física e que molestadores de crianças produzem o mesmo percentual de ferimentos na vítima que os estrupadores. Mai de metade dos criminosos sexuais condenados que acabam de cumprir pena voltam para a penitenciária antes de um ano, 77,9% voltam em até 2 anos. Quanto mais violento o crime, maior a probabilidade do criminoso repetí-lo.

Fonte: Serafim AP, et al. Perfil psicológico e comportamental de agressores sexuais de crianças. Rev Psiq Clín. 2009; 36(3):105-11. Scanavino MT, Violência sexual na infância/adolescência e o risco de HIV/aids na vida adulta. Diagn Tratamento. 2009;14(4):165-7.

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