Fetiche e fetichismo, isso é doença?

Um fetiche é um objeto material ao qual se atribuem poderes mágicos ou sobrenaturais, positivos ou negativos. Inicialmente esse conceito foi usado pelos portugueses para se referir aos objetos empregados nos cultos religiosos dos negros da África Ocidental. O termo tornou-se conhecido na Europa através do erudito francês Charles de Brosses em 1757, sendo mais tarde retomado pelos fundadores da sexologia.

Fetichismo é a atribuição simbólica a pessoas, partes do corpo ou coisas de propriedades ou características que emanam. O termo fétiche vem do francês, que por sua vez vem do portugues “feitiço”: sortilégio, artifício. O termo não poderia ser melhor escolhido, pois de certa forma, os fetichistas ficam “enfeitiçados” pelos objetos que os excitam.

O conceito de fetichismo foi usado no campo da Antropologia, na Psicanálise por Freud, e na sociologia por Marx. Na língua portuguesa, fetichismo é um substantivo masculino que significa ocultismo; cultivo de objetos que se supõe representarem entidades espirituais e possuírem poderes de magia.

O significado psicopatológico relaciona o fetichismo como desvio do interesse sexual para algumas partes do corpo do parceiro, para alguma função fisiológica ou para peças de vestuário, adorno entre outros objetos. Por extensão do sentido pode ser definido também como uma admiração exagerada, irrestrita, incondicional por uma pessoa ou coisa; veneração.

O fetichismo não deve ser considerado uma doença na classificação internacional de doenças. O DSM-5 (Manual para o Diagnóstico de Doenças Mentais em sua 5º revisão) não considera o uso erótico de fetiches “per se” como uma doença ou distúrbio, a menos que cause um sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo nas áreas sociais, ocupacionais ou outras áreas importantes de funcionamento. O manual do DSM-5 fornece o seguinte exemplo: um indivíduo que compartilha com seu parceiro sexual ou pode incorporar com sucesso seu interesse em acariciar, cheirar ou lamber os pés ou dedos dos pés, por exemplo, como um elemento importante das preliminares não seria diagnosticado com desordem fetichista; nem um indivíduo que prefere, e não está angustiado ou prejudicado por comportamento sexual associado ao uso de roupas de borracha ou botas de couro.

O simples fato de um indivíduo ter um padrão “atípico” de excitação sexual no sentido de que difere da maioria das outras pessoas ou do que seria considerado normativo em uma dada cultura ou subcultura não indica que o indivíduo tem um transtorno mental.

Na última revisão do Código Internacional de Doenças (CID-11), realizado pela Organização Mundial de Saúde, os Transtornos de Preferência Sexual, também chamados Parafilias foram revisados e mante-se como classificação de doença apenas padrões de excitação cujo foco envolve outros cuja idade ou status os torna pouco dispostos ou incapazes de consentir (por exemplo, crianças pré-púberes, um indivíduo desavisado sendo visto através de uma janela, um animal), no qual o indivíduo está agindo de acordo com o padrão de excitação considerado anômalo (poe exemplo, pedófilo em atividade) ou está profundamente aflito por ele. Além disso, os padrões de excitação que envolvem adultos consentidos ou comportamentos solitários devem ser diagnosticados como Transtornos Parafílicos quando: (1) o indivíduo é marcadamente angustiado pela natureza do padrão de excitação e o sofrimento não é simplesmente uma conseqüência de rejeição ou temida rejeição que o padrão de excitação pode despertar nos outros ou (2) a natureza do comportamento parafílico envolve risco significativo de lesão ou morte.

Assim, na nova edição do Código Internacional de Doenças (CID-11) houve a remoção das três categorias diagnósticas incluídas na CID-10 como Transtornos da preferência sexual (F65) : fetichismo, travestismo fetichista e sadomasoquismo. Essas condições envolviam atividades sexuais consensuais ou solitárias que não envolvem danos inerentes a si ou aos outros e não são necessariamente angustiantes para o indivíduo ou associadas ao comprometimento funcional. Portanto, não se considera esses padrões de excitação, por si só, como representantes dos transtornos mentais ou para ser um foco apropriado de vigilância e notificação de saúde pública, mas com mais precisão, como variantes na excitação sexual. A inclusão desses diagnósticos pode, portanto, ser vista como inconsistente com os princípios de direitos humanos endossados ​​pela ONU e pela OMS ao estigmatizar os indivíduos que praticam esse comportamento, sem benefícios clínicos ou de saúde pública.

Portanto, a podolatria (fetiche por pés), o BDSM (Bondage, Dominação, Submissão, Sadomasoquismo) quando consentido, fetiche por roupas, ou objetos não são considerados transtornos, e sim padrões de excitação sexual.

Brincar de dar ordens, colocar coleiras, algemas, provocar dor (com consentimento e sem risco de morte) são práticas que muitos casais heterossexuais e homossexuais utilizam para sair da rotina sexual e dar uma pitada de emoção aos encontros. O tão famoso “golden shower” faz parte dos rituais de dominação e sadomasoquismo e também não pode ser classificado como transtorno.

Enfim, vale sempre aquela máxima popular: gosto, cor e amor, cada um com o seu! Ficou curioso, abre essa portinha da sua mente e converse com seu parceiro sobre o que poderia excitar ambos e trazer mais prazer e intimidade.

Muitos orgasmos para vocês.

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